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Carros | testes
Peugeot 307 Sedan 2.0 Griffe
Agosto 2006

Peugeot 307 Sedan 2.0 Griffe

O leão quer sua parte: Num mundo em que reinam Civic, Corolla e Vectra, o 307 chega carregado de equipamentos para encarar a concorrência

Por Adriano Griecco | Fotos: Marco de Bari
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

A Peugeot é fera em design. Com linhas e soluções ousadas, os projetistas franceses conseguem trilhar um caminho próprio e surpreender o mercado. É assim com o 407, com o futuro 207 e com a linha 307 (você conhece outra perua com teto de vidro?), que estreou nova cara em maio deste ano. A novidade agora é o três-volumes. Com ele, os 307 se tornam, ao lado do clã Palio, a maior família de automóveis do Brasil, com cupê cabriolet, hatch, perua e sedã. O Sedan chega no momento de ebulição do segmento. Num espectro amplo, vai disputar terreno com Civic, Mégane, Vectra, Bora, Corolla e o novo Jetta
.
Contrariando a tradição da marca, seu visual não chega a ser arrebatador. A Peugeot afirma que o Sedan foi idealizado no centro de estilo da montadora, na França, ainda na fase inicial de concepção da família, em 2001. Na frente, o 307 tem as linhas do hatch, ousadas, com a nova cara - e boca - da Peugeot. Os faróis são alongados e invadem parte do pára-lama. Já na traseira, falta agressividade. O formato da tampa e das lanternas lembram - em parte - o VW Bora. Na lateral, portas e rodas são as mesmas do hatch. No total, o Sedan tem 4,48 metros de comprimento e é 26,7 centímetros maior que o hatch. Toda esta diferença está no porta-malas, que tem capacidade para 506 litros e bom acesso.

A Peugeot sabe que a vida do 307 não será fácil por aqui. E aposta na relação custo-benefício para conquistar corações e mentes. A versão Presence, de entrada, terá motor 1.6 Flex e custará algo em torno de 55000 reais (menos do que um Civic LXS manual), enquanto a Feline e a Griffe (essa última a avaliada neste teste, top de linha e com preço estimado em 75000 reais) trarão o 2.0 16V. Todos os 307 sedãs virão de fábrica com o básico - ar-condicionado, direção hidráulica e trio elétrico - e algo mais: ABS, duplo airbag, computador de bordo, itens também encontrados no Honda Civic LXS, vencedor do Melhor Compra deste ano.

Na versão Griffe, além da boa posição de dirigir e do volante com ajuste de altura e profundidade, o 307 oferece de série ar-condicionado com saídas independentes para os dois lados da cabine, CD player com disqueteira para cinco discos (que chega a superaquecer e aí pára de funcionar) e controles-satélites no volante para o sistema de som e para o piloto automático. Há ainda mimos tecnológicos, como faróis com acendimento automático e sensor de chuva. E, se no hatch faltava um sistema de sensores para auxiliar nas manobras de estacionamento, a versão Griffe traz essa facilidade de série. No Feline e Presence, a ajuda é opcional.

O espaço interno é igual ao do hatch. Em outras palavras, ele leva quatro adultos e uma criança com conforto. São 2,61 metros de entreeixos, espaço semelhante ao encontrado em Corolla e Jetta, que o coloca no grupo dos mais "aconchegantes" (um Mégane e um Civic têm 2,70 metros, mas o 307 agrada pelo espaço para a cabeça). Como as portas traseiras são iguais às do hatch, é natural que tenham o mesmo defeito: o vidro não desce até o final, fica a cerca de 5 centímetros do limite do vão. Em compensação, os passageiros de atrás contam com duas luzes de leitura. Os alto-falantes ficam no tampão traseiro, junto de uma tomada de 12 volts.

A versão Griffe só existe com o câmbio automático de quatro marchas e o motor 2.0 16V, que recebeu comando de válvulas variável para gerenciar a abertura e o fechamento das válvulas de acordo com as condições de uso do carro. Agora são 143 cavalos, ante os antigos 138. Ainda assim, motor e câmbio parecem não se entender tão bem (talvez o motor francês esbarre no sotaque alemão do câmbio, que utiliza o sistema Tiptronic, da Porsche). No teste de aceleração, o 307 larga bem. Mas quando o câmbio engata a segunda marcha, perto das 4500 rotações por minuto, o motor pára de crescer para retomar o ritmo normal logo em seguida. Repetimos a operação diversas vezes e o comparamos inclusive com um hatch, que apresentou o mesmo comportamento. Talvez isso explique o número apenas razoável na prova de aceleração. Levou 12,5 segundos para ir de 0 a 100 km/h. Vale ressaltar que o carro tinha apenas 450 quilômetros rodados e estava com o motor ainda amarrado. Nas retomadas, a indecisão do câmbio também prevaleceu. Em alguns casos, ele manteve a marcha utilizada e mesmo com uma cravada violenta no acelerador, o kickdown, a redução de marcha não aconteceu. No dia-a-dia, essa é uma característica a ser considerada numa ultrapassagem - ainda que haja a opção de trocas manuais no Tiptronic. Mas, no trânsito, essa atitude passa despercebida pelo motorista.

O Peugeot sedã engordou 5 quilos - acredite, nem a fábrica sabia explicar como ele ganhou só 5 quilos na versão Griffe e 20 na versão Presence. Com isso, a montadora mexeu na suspensão. O trabalho da engenharia ficou focado no eixo posterior - que utiliza um eixo rígido em forma de U -, em que foram recalibrados os amortecedores (que ficaram mais duros, segurando o retorno da carroceria), e nas buchas, que estão mais rígidas, para diminuir a torção do conjunto. No geral, o 307 Sedan se assemelha ao hatch ao volante. Ele mantém as batidas secas na suspensão, passando a impressão de dureza do conjunto, e apresenta a mesma estabilidade. Em outras palavras, encara bem as curvas mais fortes.

O 307 Sedan deve agradar aos fãs da marca e, de fato, apresenta interessante relação custo-benefício para conquistar novos clientes. Mas vai encarar uma dura parada perante a concorrência (o Mégane, com vendas abaixo da expectativa, que o diga). E a versão Griffe ainda vai enfrentar um rival dentro de casa. É a 307 SW, que além do charme de ostentar o teto de vidro é apenas 4000 reais mais cara que o Sedan - e ainda traz os mesmos equipamentos. Pelo visto, será a versão Presence quem atuará na linha de frente do 307 e para isso tem, além das qualidades do sedã, o motor flex.


SUSPENSÃO
O 307 trata com dureza - e batidas secas - seus ocupantes.
Avaliação: bom


AO VOLANTE
Tem as mesmas qualidades do irmão.
A versão Griffe traz mimos eletrônicos, como sensor de chuva.
Avaliação: muito bom


CARROCERIA
O espaço para a cabeça é muito bom. Já o traseiro, fica na média de alguns rivais.
Avaliação: muito bom


MOTOR E CÂMBIO
São 143 cavalos e câmbio automático. Pena que existam "divergências" entre os dois.
Avaliação: bom


MERCADO
A lista de itens de série é recheada. Mas a versão mais vendida deverá ser a 1.6 Flex.
Avaliação: muito bom


Os rivais

Honda Civic EXS:
A versão top do Honda agrada pelo bom desempenho, pelo câmbio com borboletas no volante e pelo design. O Civic ainda tem a seu favor a reputação de inquebrável e a melhor avaliação de assistência técnica da pesquisa Os Eleitos.

Renault Mégane 2.0:
Chegou ao mercado com bom acerto, bons itens de série e um visual cativante. Ainda não emplacou, talvez pelo fato de a Renault não ter nome nesse segmento.


Ficha técnica

Bolso
Feito em Palomar, na Argentina, o 307 Sedan chega com a versão 1.6 Flex custando cerca de 55.000 reais.
Preço do carro (estimado): 75.000 reais
Garantia: 1 ano sem limite de quilometragem
Número de concessionárias: 114
Consumo cidade (km/l): 7,8
Consumo estrada (km/l): 11,6
Tanque de combustível/autonomia (l)/(km): 60/696

Conforto
O computador de bordo é comum às outras versões do Sedan. Já o banco de couro é privativo da Griffe.
Ar-condicionado/direção hidráulica: s/s
Rodas de liga leve/pintura metálica: s/o
CD player/comandos no volante: s/s
Vidros/travas elétricos: s/s
Espelhos/teto solar elétrico: s/s
Banco traseiro rebatível (60/40): s
Câmbio automático/cruise-control: s /s
Computador de bordo/bancos de couro: s/s

Segurança
ABS/BAS/EBD: s/s/s
Controle de tração/estabilidade: -/-
Airbags (frontais/laterais/cabeça): s/-/-
Encosto de cabeça/cinto de 3 pontos para 5º passageiro: s
Faróis de xenônio/sensores de estacionamento: -/s

Desempenho
O dado é de fábrica. Isso porque andamos apenas dentro do Campo de Provas da TRW, em Limeira. O teste de máxima é em Indaiatuba, na GM. Também não medimos o peso.
0-100 km/h (s): 12,5
0-1000 m (s): 34
3ª 40 a 80 km/h (s): 5,9
4ª 60 a 100 km/h (s): 6,6
5ª 80 a 120 km/h (s): 8,6
Velocidade máxima (km/h): 203*
Frenagem 120/80/60 km/h a 0 (m): 61,3/27,9/15,3
Ruído interno PM/RPM máx (dB): 37,6/72,1
Ruído interno 80/120 km/h (dB): 61,1/66,6
Velocidade real a 100 km/h (km/h): 96,8

Ficha técnica
Motor/posição: dianteiro, transversal
Construção/cilindrada (cm3): 4 cilindros/1997
Diâmetro/curso (mm): 85/88
Taxa de compressão: 10,8
Potência (cv a rpm): 143 cv a 6000
Torque (mkgf a rpm): 20,4 a 4000
Câmbio (tipo/marchas/tração): seqüencial/4 marchas/dianteira
Direção (tipo/nº voltas): hidráulica, pinhão e cremalheira/3,3 voltas
Suspensão dianteira: McPherson, braços inferiores e barra estabilizadora
Suspensão traseira: barra de torção, barra estabilizadora
Freio (tipo/dianteiro/traseiro): disco ventilado/disco
Pneus: 195/65 R15

Dimensões
O porta-malas do hatch comporta 340 litros. O da perua, 520.
Comprimento/entreeixos (cm): 448/261
Altura/largura (cm): 152/176
Porta-malas (litros): 506
Peso (kg): 1335
Peso/potência (kg/cv): 9,3
Peso/torque (kg/mkgf): 65,4
Diâmetro de giro (m): 11,1

Veredicto
Beleza é uma questão de gosto. Independentemente disso, o 307 aposta em uma boa lista e itens de série para brigar no segmento. O espaço está na média dos rivais, assim como o porta-malas. Resta saber se o desempenho vai agradar, assim como seu visual.




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