
Tem gente que às vezes precisa de um segundo carro da família, mais velhinho, porém quer pagar pouco e receber muito. Que tal então gastar 11 000 reais para levar um sedã que vem completo (inclusive com duplo airbag), é confortável, tem design diferenciado e ainda não corre risco de ser roubado?
Esse carro é o Chrysler Neon. Mas esse sedã americano só vale a pena para quem não pensa em revendê-lo logo e tem paciência de garimpar suas peças de reposição em lojas importadoras, pois a diferença para os preços cobrados nas concessionárias é absurda (veja na pág. ao lado).
O Neon surgiu por aqui em 1996, nas versões 1.8 16V (115 cv) e 2.0 16V (133 cv), com opções de duas e quatro portas, nas versões básica, LE e Sport. Mas todas traziam de série airbag duplo, ar-condicionado, trio elétrico, direção hidráulica e, como opcional, câmbio automático de três marchas. A versão Highline 2.0, com acabamento mais luxuoso, viria só em 1999.
Em 2000 chegaria a segunda geração do Neon, que duraria até o ano seguinte. Disponível só na versão LE com o mesmo câmbio automático de três marchas e motor 2.0 do modelo anterior, ele ficou 6,6 cm mais longo, 5 cm mais largo e 2,4 cm maior no entreeixos. Com isso o espaço interno, antiga reclamação de seus donos, foi consideravelmente melhorado. Sua suspensão
ficou 1 cm mais alta para tentar sanar o velho problema de raspar com facilidade em lombadas e valetas – o que não mudou muito. Ele ganhava também freios a disco nas quatro rodas com ABS e EBD, além de um porta-malas maior, que cresceu de 330 para 370 litros.
Na hora da compra, prefira o 2.0, para não sofrer com o desempenho fraco do 1.8, e cheque com cuidado o estado das peças, especialmente freios e suspensão, que são mais caros e costumam estar mais maltratados.
FUJA DA ROUBADA
Antes de 1996, lojas independentes chegaram a importar alguns carros. Como não foram adaptados para rodar aqui, a vida útil das peças é menor e a revenda, bem mais difícil.
NÓS DISSEMOS
MARÇO DE 2000
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“Perfeito para quem quer se destacar, mas não abre mão de conforto. Esse, aliás, é um dos pontos fortes do modelo, que roda firme, mas é macio e silencioso. O conforto seria ainda maior se o câmbio automático tivesse quatro marchas, em vez de três – o que causa pequenos impulsos, suportáveis, é verdade. (...) O motor, que não costuma ser ponto de destaque nos Chrysler, não decepciona. É o mesmo da primeira geração – 2.0 de 16 válvulas e 133 cv de potência –, mas conta com novos coletores de admissão e de escape, o que proporciona maior força em rotações mais elevadas. Para rotações baixas, o Neon oferece 90% de seu torque logo aos 2 000 giros.”
1997
LE 1.8: R$ 12844
LE/HIGHLINE 2.0: R$ 13138
SPORT 1.8/2.0: R$ 13741
1998
LE 1.8: R$ 14029
LE/HIGHLINE 2.0: R$ 14052
SPORT 1.8/2.0: R$ 14376
1999
LE 1.8: R$ 15339
LE/HIGHLINE 2.0: R$ 15692
SPORT 1.8/2.0: R$ 17479
2000
LE 1.8: -
LE/HIGHLINE 2.0: R$ 22525
SPORT 1.8/2.0: -
2001
LE 1.8: -
LE/HIGHLINE 2.0: R$ 23566
SPORT 1.8/2.0: -
PREÇOS DAS PEÇAS
Pára-choque dianteiro
ORIGINAL: R$ 2341
PARALELO: R$ 600
Farol completo (cada um)
ORIGINAL: R$ 1110
PARALELO: R$ 370
Retrovisor (cada um)
ORIGINAL: R$ 3608
PARALELO: R$ 450
Lantera traseira (cada uma)
ORIGINAL: R$ 1656
PARALELO: R$ 150
Amortecedor diant.tras (cada par)
ORIGINAL: R$ 980/1463
PARALELO: R$ 180/225
PENSE TAMBÉM EM UM...
Seat Cordoba
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Ele se assemelha ao Neon por ser um carro barato, equipado e que ninguém quer saber de roubar. Mas se engana se você acha que vai pagar caro pelas peças desse Seat. Ele divide câmbio e motor com o Golf, além de outros componentes, fáceis de encontrar na rede de mais de 600 autorizadas da Volks. O porta-malas também é maior, com 406 litros, assim como o espaço no banco traseiro. Mas perde nos itens de série, que nem sempre incluem ar-condicionado e airbag, que eram opcionais.
ONDE O BICHO PEGA
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Câmbio automático - Preste atenção: se houver dificuldade de engate, fuja desse carro, pois o conserto é caro.
Portas - Até 1999, o vidros das portas não tinham moldura, o que pode provocar ruído de vento, trepidações e até infiltração. Verifique o estado das guarnições de borracha e, se possível, leve a um lava-rápido para ver se há entrada de água.
Vazamentos de óleo - Cheque com cuidado a parte de baixo do motor. Na maioria dos casos é cárter trincado ou junta de vedação do cabeçote ou dos sensores de fase e de pressão de óleo.
Parada de motor - Alguns donos reclamam que o motor pára de funcionar. Segundo técnicos de autorizadas, pode ser culpa do sensor de temperatura que envia dados ao módulo, que corta os sistemas de ignição e combustível. Em outros casos, pode ser bomba de gasolina queimada ou regulador de pressão de combustível.
Amortecedor traseiro - Mesmo em bom estado, essa peça pode apresentar ruídos metálicos que vêm de buchas ou batentes desgastados. Mas, se o amortecedor tiver manchas de óleo, a solução é trocá-lo.
Recall - Ligue para a Chrysler (0800-7037150) e verifique se o carro passou pelo recall para os modelos 2000 e 2001, para a troca da mangueira de vácuo do servofreio, que podia causar aumento na distância de frenagem
A VOZ DO DONO
[01]
“É um carro supergostoso de dirigir. Tem mecânica simples, robusta e confiável. Já estou no meu segundo Neon. O que mais gosto nele é sua construção de primeira e o farto pacote de equipamentos, além do ótimo acabamento. Ao contrário do que muitos pensam, se fizer a manutenção preventiva, dificilmente vai deixá-lo na mão.”
César Augusto Bianco, 39 anos, São Paulo (SP)
O QUE EU ADORO
“Seu estilo é ousado e esportivo – não tem cara de carro familiar. Recomendo, mas só para quem vai cuidar dele e não passá-lo logo para a frente, pois é de revenda difícil.”
Alcides Yano, 43 anos, Londrina (PR)
O QUE EU ODEIO
“O fato de ser muito baixo me decepciona. Mesmo com cuidado, às vezes é inevitável raspar em quebra-molas. Peças e mão-de-obra também são bem caras.”
Joana Darc Cabral, 41 anos, Teresópolis (RJ)




