breadcrumb

Chuvas e trovoadas

17.10.09 - Por Lemyr Martins

Quem gosta de Fórmula 1 e que torce por Rubinho  Barrichello não poderia desejar uma definição melhor para o grid do Grande Prêmio do Brasil. Afinal, ele é o pole position e deixou seus adversários na poeira – ou melhor, na chuva. Jenson Button larga em 14º e Sebatian Vettel em 16º.
 
Mas não foi uma missão fácil para Barrichello. Ele conquistou esse privilégio num dia em que Interlagos esteve mais para piscina do que pista. Os treinos da sessão livre de sábado já abriram com um show de pilotagem na chuva.

Depois de um atraso de 40 minutos, os pilotos entraram na pista  desfilando suas habilidades num asfalto tão encharcado que, mesmo para completar as curvas mais fáceis, eles executavam tomadas bem abertas e com  muito  cuidado no momento da retomada da aceleração, para não perder o controle do carro.

E, como era previsível, aconteceram várias rodadas. A mais espetacular foi de Romain Grosjean – sempre ele – que se  emocionou com a terceira melhor marca provisória, foi fundo, pegou um forte acquaplaing, deslizou por 70 metros na grama, pregando um tremendo susto em um dos bombeiros do posto de segurança.

Mas as rodadas não aconteceram só com os pilotos neófitos em Interlagos. Fernando Alonso deu duas escapadas e Giancarlo Fisichella um longo passeio fora do trilho. Os pilotos da Williams foram os que mais se aplicaram ma sessão pré classificatória. Nico Rosberg completou 9 votas e  Kazuki Nakajima 7 e foram os mais rápidos e únicos a virar na casa do 1’23”.

Na verdade, foi um pré-treino para acertar os carros para a tomada de tempo da classificação. Se é que se pode fazer grandes acertos, além de amolecer as barras de suspensão.

A Q1 iniciou nas mesmas condições do treino livre, com a chuva castigando Interlagos e desafiando a coragem e habilidade dos pilotos e o carro  melhor adaptado ao dilúvio.

Novamente foi de Nico Rosberg (1’22”828) o melhor tempo. A surpresa ficou por conta dos náufragos que não se classificaram para o Q2. Gente importante, como  Lewis Hamilton, Heikki Kovalainen, Nick Heidfeld, o penitente Giancarlo Fisichella e Sebastian Vettel, O alemãozinho candidato a campeão,  ficou irritadíssimo com a eliminação e atirou o volante longe, ao chegar ao boxe.

A Q2,  para manter a média, começou com acidente, Dessa vez, foi Vitantonio Liuzzi quem destruiu o seu Force Índia aos dois minutos da tomada de tempo, no final da reta, forçando a terceira bandeira vermelha, do dia.

E, novamente, foi Nico Rosberg quem dominou a sessão. Mas como suspense pouco é bobagem, a posição de Rubinho Barrichello e Jenson Button só foi definida  no minuto final da Q2. Barrichello fechou em 10º, 2 milésimos à frente do Toyota de Kamui Kobayashi, mas viu aliviado Jenson Button não superar a 14ª colocação, portanto fora da briga pela pole position. 

Até ali as coisas não poderiam estar melhores para Rubinho. Seus dois adversários ao título estavam fora da 'super pole':  Sebastian Vettel ficou de fora na Q1 e Button na Q2. Agora era a hora de Barrichello definir a sua posição naquele que poderia ser o grid da sua carreira, no terceiro ato de uma das mais disputadas e perigosas definição de largada da F-1.

E ele foi competente. Com a marca de 1’19”576, a menos de 1 décimo  melhor que Mark Webber, Rubinho cravou a 14ª pole position da sua carreira e a primeira deste ano, e larga com o direito sonhar com a conquista do título de campeão.

Como ele mesmo disse, “foi um dia glorioso, mas ainda não ganhou nada  – além da pole.” Agora é dormir com os louros do sábado, para acordar domingo penando  na tática de corrida, no peso do combustível embarcado no carro e voltar a ser valente, com a mesma sorte, para levar o sonho até Abu Dhabi.

Comentários
Quem Escreve

Lemyr Martins

Jornalista especializado em automobilismo, já cobriu mais de 280 Grandes Prêmios in loco.
Publicidade
Mais Comentados
Últimos Posts
Arquivo
Por Data
Categorias