breadcrumb

A F-1 que consagra e também destrói

20.10.09 - Por Lemyr Martins

O que não faltou no GP do Brasil 2009 foram grandes protagonistas. Teve um Rubinho Barrichello lutador, principalmente na conquista da pole position sob temporal, o competente Jenson Button  administrando bem vantagem para ser campeão e Mark Webber estupendo, pela autoria da vitória incontestável.

Também mereceram notas altas Robert Kubica e Lewis Hamilton, coadjuvantes brilhantes, que saltaram do fim do grid para o pódio. E tampouco dá para esquecer o voador Sebastian Vettel, pela espetacular corrida de recuperação de 15º no grid para 4º na bandeirada.

Mas além dos destaques positivos, houve as imprudentes proezas de Jarno Trulli, Adrian Sutil, Kazuki Nakajima, Kamui Kobayashi e Heikki Kovalainen em dia de trapalhões, envolvendo-se em rodadas que seriam até cômicas não fossem perigosas. 

Porém, o personagem que mais me impressionou no GP do Brasil foi Kimi Raikkonen. Não pela brilhante largada e por ter sido fechado violentamente por Mark Webber. E nem por ter protagonizado a cena rara de virar bola de fogo dentro do carro, ao ser atingido pelo combustível que jorrou da mangueira do McLaren, no desastrado reabastecimento de Heikki Kovalainen. Por sinal, foram momentos dramáticos em que o finlandês admitiu ter ficado cego por instantes e com os olhos ardendo por várias voltas na corrida.

Porém, o que me impressionou em Kimi Raikkonen foi o  seu comportamento nos intervalos dos treinos em Interlagos. o finlandês, chamado de 'Iceman', era o retrato do quanto a Fórmula 1 é impiedosa com os seus ídolos.

Ele parecia um corpo estranho no território da Ferrari. Entrava e saia do carro como quem bate ponto, sem aparentar qualquer emoção na face de cera. Seu pensamento parecia distante, passando a impressão de ser dolorosa a compulsória obrigação de defender a escuderia que o demitiu sem-cerimônia. O 'Iceman' parecia vulnerável.

Era notória a situação de constrangimento de Raikkonen no GP Brasil. Não por ser substituído do Fernando Alonso, mas pelo modo que ela aconteceu. Ninguém discute o direito da Ferrari contratar ou demitir os seus pilotos, mas mandar embora o seu último campeão mundial, a  três semanas do final do campeonato, e com um ano de contrato em vigor, é de derreter até fortaleza gelada.

Afinal, trata-se Kimi Raikkonen, um piloto com 156 gps disputados, 18 vitórias, campeão mundial em 2007, 16 poles e 35 voltas mais rápidas (recordista em 2005 e 2008), entre outras façanhas.

Raikkonen pode até voltar à McLaren, assinar com a Toyota, ser campeão pela Toro Rosso ou consagrar-se no rali internacional, mas jamais deixará de ser um exemplo de como a Fórmula 1 consagra e destrói. O ídolo não faz falta à F-1, é tudo uma questão de momento. Aposenta-se Schumacher e as honras passam a Alonso, Hamilton e Massa, alvos a ser batidos por Vettel ou Buemi. 

É a dinâmica da velocidade, muito bem definida na filosofia de Ayrton Senna: “O piloto, por melhor que seja, por mais recordista  e campeão que se torne, será sempre episódico. O mundo da Fórmula 1 é das escuderias. Um grande negócio antes do esporte, mas será sempre um espetáculo, pouco interessando quem serão os protagonistas na pista.”

Comentários

beto - 28.10.09 @ 09:19

Concordo parcialmente.O "iceman" só foi demitido mesmo por demonstrar falta de interesse.Ele não demonstra alegria em hora nenhuma,nem quando foi campeão.Foi como se ganhasse um brinde de supermercado. Não demontra raça e vontade de ganhar.Um "tô nem aí",se ganhar bom,se perder,não ligo.A torcida italiana e patrocinadores não toleram isso. O schumi foi campeão 5 vezes pela Ferrari e saiu porque quis e parecia que a ultima vitória dele foi a primeira.Sempre alegre e motivado.Um ídolo que ninguém esquece,assim como Senna e Fangio. Um verdadeiro ídolo ninguém esquece.O fator de ser campeão pra mim não significa nada.Ainda mais como foi o Kimi.sem graça.Tantos pilotos bons que não conseguiram ser campeões por vários motivos.Quem não se lembra de Gilles Villineuve,na Ferrari?A morte tragou o´futuro ídolo.

beto - 28.10.09 @ 09:19

Concordo parcialmente.O "iceman" só foi demitido mesmo por demonstrar falta de interesse.Ele não demonstra alegria em hora nenhuma,nem quando foi campeão.Foi como se ganhasse um brinde de supermercado. Não demontra raça e vontade de ganhar.Um "tô nem aí",se ganhar bom,se perder,não ligo.A torcida italiana e patrocinadores não toleram isso. O schumi foi campeão 5 vezes pela Ferrari e saiu porque quis e parecia que a ultima vitória dele foi a primeira.Sempre alegre e motivado.Um ídolo que ninguém esquece,assim como Senna e Fangio. Um verdadeiro ídolo ninguém esquece.O fator de ser campeão pra mim não significa nada.Ainda mais como foi o Kimi.sem graça.Tantos pilotos bons que não conseguiram ser campeões por vários motivos.Quem não se lembra de Gilles Villineuve,na Ferrari?A morte tragou o´futuro ídolo.

Emerson Pereira - 24.10.09 @ 08:40

Gostaria que tivesse 22 pilotos como Kobayashi na pista.

Walther - 23.10.09 @ 18:32

Falou tudo Klaus, totalmente de acordo. Estranhei tambem que o colunista Marcio Ishikawa nem citou o Kobayashi. Todos os jornais do mundo estao elogiando-o.

Klaus - 23.10.09 @ 01:10

Imprudentes proezas de Kamui Kobayashi ? Ficou louco? Kobayashi foi o grande destaque da corrida ! 10 pra ele, nem pareceu que é japonês.

Guilherme - 22.10.09 @ 13:08

Concordo com o Sócrates. Quando os profissionais da Globo se tornam torcedores, ficam querendo puxar o saco dos brasileiros, SUBESTIMANDO A INTELIGÊNCIA E O SENSO CRÍTICO DE QUEM REALMENTE ACOMPANHA F-1! Quando o Galvão vai aventar a ideia colocada pelo Lemyr, de que a Ferrari demitiu sem mais nem menos seu último (atualmente único) campeão mundial? Só porque o Banco Santander quer o Alonso (campeão de preferência)? Massa mostrou mais regularidade nesses últimos anos que Räikkönen, mas cabia pelo menos terminar o contrato. A não ser que queiram Massa como segundo piloto da Ferrari para ano que vem (o que Kimi jamais seria)?

Socrates Ribeiro Filho - 22.10.09 @ 09:59

O Gp Brasil de F1 foi uma prova emocionante, talvez a melhor dessa temporada. Mas, como sempre, a transmissão pela TV foi o ponto negativo. Os comentaristas desdobravam-se em mostrar seus "trinta anos de F1" e deixavam de dar informações importantes aos telespectadores. Portavam-se mais como torcedores, às vezes cometendo deslizes éticos imperdoáveis. Deselegantes, criticavam erros dos pilotos como se pilotar um F1 fosse fácil. O GP Brasil, pela sua história e tradição, merece uma cobertura mais profissional.

Haroldo - 21.10.09 @ 11:35

Concordo com o texto, mas os pilotos enquanto ídolos recebem uma fortuna para exercer esse papel, e eles sabem muito bem disso; e concordam.

Thiago Salles - 21.10.09 @ 11:00

A Ferrari vai sentir muita falta de um piloto do nível do Kimi. Eles apostam muito na Massa mas, na verdade, ele ainda não passou do "quase". Ainda é apenas um piloto rápido, mas que não atingiu aquele "algo mais" que faz dos grande pilotos os campeões.

Luiz Sergio - 20.10.09 @ 21:34

É realmente triste ver como são tratados os pilotos, a Ferrari foi campeã com Kimi, não foi campeã com o Felipe Massa por vários erros da própria equipe, esse ano tanto o Felipe quanto o Kimi estão tirando leite de pedra, tanto é verdade que sem o Felipe seus substitutos estão passando vergonha. Não é nos pilotos que a Ferrari vai voltar ao patamar onde ela estava na época do alemão Sumi é estruturando toda a equipe, com pessoas que sabem onde uma equipe precisa melhorar. Brawn e sua equipe mostraram para o mundo dois grandes pilotos que ninguém mais dava nada por nenhum, principalmente para disputar um título. Alonso, não conseguiu colocar a Renault de volta ao topo, a equipe RBR com o mesmo motor mostrou que o Vettel é um grande piloto e que o seu companheiro de equipe é também um piloto fantástico. Piloto de F1 parece técnico de futebol no Brasil, perdeu dois jogos fica como culpado e é substituido.
Quem Escreve

Lemyr Martins

Jornalista especializado em automobilismo, já cobriu mais de 280 Grandes Prêmios in loco.
Publicidade
Mais Comentados
Últimos Posts
Arquivo
Por Data
Categorias