BLOGS VIDA DE PILOTO
Quebra cabeça.
Hoje foi dia de passear no desmanche. Do laaaaado de casa. Moro em Cotia, na GRande São Paulo e fui até o Jardin Shangri-Lá, um bairro que fica depois do Grajaú, que por sua vez fica depois de Interlagos que por sua vez fica a 40 minutos de casa em dia de trânsito bom - leia-se sábado.
Juro que cheguei lá as oito da manhã, com a intenção de ficar meia hora e vir para o trabalho. Mas, não deu. Saí de lá dez e meia, peguei um baita trânsito e... bom, o resto é detalhe.
Na bagagem eu trouxe o painel do Karmann Ghia. Na foto que o Nivaldo finalmente mandou dá pra ver o Karmann sem o painel. O original foi retirado para entrar um de corrida. Agora volto um original.
Achei também quatro rodas de magnésio de Puma. São bem raras e mais leve que as de alumínio. Baraaaaaato. Essas, peguei para colocar no Porsche de corrida, que está parado e quase pronto. Preciso comprar uma chapa de alumínio para colocar no carro e fechar o lado direito. Não entenderam? O Nivaldo também não. Por isso que ele não fez.
Um dia eu explico. Ou melhor, monto e fotografo.
Nuevas do Grajaú
Nivaldo ligou.
Diz ele que a traseira do Karmann Ghia tava solta demais (assim como a do Porsche 19). Por conta disso, ele desenvolveu um sistema de tubos que deixou a traseira mais firme. Tenho medo de ir lá ver o que ele fez no carro.
Diz ele que soldou os tubos na carroceria e que os parafusou no chassi, na outra extremidade. Assim, quando eu precisar tirar a carroceria fora - cê tá achando que isso é carro de autorama, Nivaldo? - fica tudo mais fácil.
Aí, conta ele, o carro está pronto para receber a massa e a pintura. Ele já achou a tinta e espera apenas o meu cheque para realizar a compra.
Reforcei ao telefone:
- Nivaldo, esse têm que ser azul e branco heim! Não vai fazer igual no Porsche, quando eu te pedi um carro azul e branco e você me entregou um prata, cinza e verde!
- Não, fica tranquilo. É que aquele carro tava ruim demais. Muito torto.
- Ah, então foi por isso que você pintou ele de cor diferente? E você me diz isso agora?
O que se houve no telefone são alguns segundos de silêncio, interrompidos por mim:
- Mais tarde eu passo aí, Nivaldo.
- Ok, bate na porta que tamo aqui.
- Abraço
Haja borracha
Nem falei com o Nivaldo hoje. Tô devendo capô dianteiro e traseiro para ele e só vou ter acesso a essas peças amanhã cedo.
Aproveitei para comprar os pneus do Karmann Ghia. Inicialmente, eu queria usar um 225/70 R15 na traseira, para ele ficar com um perfil alto e uma banda razoável, montado nas rodas aro 15, com tala de 8' polegadas.
Aí, fui no estabelecimento comercial. Não dá nem pra chamar de loja. Para minha surpresa, o borracheiro - ops, escapou - tinha dois pneus 255/60 R15 encostados. Fiz o cálculo e descobri que a altura é praticamente a mesma. Enquanto o raio do primeiro pneu fica em 34,8 centímetros, o do segundo é de 34,3. Ou seja, uma diferença de meio centímetro na altura do carro.
Depois de saber que o cara queria quase a metade do preço nos dois 255/60 R15, não hesitei e fiz o cheque. Como vocês podem ver, são largos. Agora é esperar as rodas traseiras ficarem prontas - o cara da reformadora ainda não arrumou os aros de tala 8' - e montar o conjunto.
Vai ficar insano.
P.S. Na dianteira, vou usar 185/65 R15
Sem pneus
Ontem, quinze horas.
Ligo para o Nivaldo para saber se o Karmann já estava lá na porta da oficina dele (o caminhão do guincheiro quebrou na semana passada e ele não pôde pegar o Karmann). Vejam o que ouço do outro lado:
- Ah, é você? Eu já tava te xingando.
- Porque Nivaldo?
- Ah, mandou o carro sem pneu? Como eu faço para colocar o carro pra dentro da oficina, heim?
- Como assim, sem pneu?
- É, e sem roda. O guincheiro disse que vai levar as rodas de volta.
- Você tá de brincadeira, Nivaldo?
- Tô não.
Desliguei e saí da revista voando. E fui ver o que tinha acontecido. Realmente, o carro estava sem as rodas de liga e sem os pneus. Tava com umas rodas de aço. No chão com umas rodas de aço.
Fui descobrir que o funileiro tinha tirado as rodas do carro para colocar num fusca dele. Isso até tava combinado. Só não sabia que ele iria fazer isso na hora de transportar o Karmann Ghia, me causando uma dor de cabeça danada.
Passei numa borracharia, comprei 4 pneus de fusca velhos - a 15 reais cada um - E montei nas rodas. Ainda tive que pagar os bicos novos das rodas.
Karmann montado, e empurrado para dentro da oficina. E pedi pro Nivaldo fotografar tudo. Pergunta se ele mandou alguma foto?
A caminho
Amanhã cedo o Karmann sai do funileiro e vai para a pintura. São quase 70 quilômetros entre as duas oficinas. Apesar da distância, o percurso leva cerca de duas horas e meia, em cima de um guincho.
A funilaria ficou muito boa. Ainda faltariam alguns detalhes para acabar, mas preferi fazer logo a pintura e depois me preocupar com o resto. Tá mais do que na hora do Karmann Ghia sair do papel (ou mehlor, das telas deste blog) e ir para as ruas.
Prometo uma foto dele lá na Luckypaint. Aguardem.
Brasil, um país de tolos
Ontem, recebi a informação de que deveria retirar o velocímetro de Porsche que comprei o Karmann Ghia nos Correios. Eu sabia que, provavelmente, era para pagar o imposto de importação, cjua alíquota é de 60%.
Logo, calculei em casa a grana. Paguei 50 dólares no dito e o frete saiu por mais 28. Ou seja 78 dólares. É matemática pura. São 47 dólares de imposto. Fui lá e saquei 80 reais no banco, já que a conta dava quase 74.
Cheguei nove e pouco na agência. Nem fila tinha. Entrei e me dirigi ao guichê. Rapidamente o atendente se prontificou a localizar a encomenda. E veio com a conta: 120 reais.
Questionei o valor e ele me mostrou a guia da Receita Federal
E aí, entendi a (nova) conta. A Receita Federal simplesmente ignorou os 50 dólares que eu paguei (e que foram declarados no formulário dos correios norte americanos) e taxou - sabe-se lá por qual motivo - o tal do velocímetro em 100 dólares. E cobrou o imposto sobre o valor que ela achou conveniente. E ainda havia uma linha dizendo que eu poderia questionar o tal valor.
Dei risada. Paguei os 40 reais a mais e saí dos correios tranquilo, (até porque o que paguei nesse velocímetro de Porsche saiu demais da conta) tendo duas certezas: a de que cumpri meu papel e a de que esse aqui não é um país sério.
Não falei?
Foram 0,28459 segundos de espera, segundo o Google, e a resposta apareceu na minha cara.
Taí a foto dos irmãos Fittipaldi andando com o Karamnn Porsche laranja.
Muito bonito. Mesmo.
Pergunto. Será que tasco o laranja no meu Karmann?
Respondo. Não, não, azul é mais discreto. Imagina o que não vai ter de comando me parando.
Foto de frente
Eis uma foto do Karmann Dacon de frente. Eu juro por Deus que achei que era Bernie Ecclestone ao volante. Mas não é. Trata-se de um jornalista inglês que veio andar no carro aqui, há um tempo...
Só acho estranho o número. O Karmann Dacon que usava o numeral 7 ficou laranja - depois que a Dacon se retirou das competições - e era pilotado pelos irmãos Fittipaldi. Ah, tinha patrocínio da Bardahl. Depois, ele foi desmontado e virou o Fitti-Porsche. Em outras palavras, o carro foi detonado. Tiraram tudo. Difícil esse aí ter sido o 7. Mas, como não fui eu quem restaurou - e também nunca vi o carro de perto - fica difícil chutar alguma coisa.
P.S. O Robertinho do Rio de Janeiro - que estava lá no dia em que a foto acima foi tirada, manda a correção: quem está ao volante do Karmann é o Paulo Lomba, quem achou e restaurou o carro. E o jornalista inglês que veio andar no carro foi Malcom McKay.