Receba nossa newsletter
Seu comparativo
TOP 10 QR
Os carros mais procurados no site Quatro Rodas

1 Fox
2 Agile
3 Gol
4 Tucson
5 Corolla
6 Focus
7 Polo
8 Golf
9 Fit
10 Fiat 500
MAPAS E GPS
RUAS »
RODOVIÁRIO »
R$/litro
Km/litro
Litros/tanque
Rota mais rapida?

PUBLICIDADE

VEJA TAMBÉM

CLASSIFICADOS
A


REPORTAGENS
Ferrari Panamerican 20.000
Novembro 2006

Ferrari Panamerican 20.000

A Ferrari cai no samba: Nossa aventura com duas 599 GTB pelo Brasil

Por Marcelo Moura | Fotos: Marco de Bari
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

Você acha que Ferrari não tem o que provar? Eles acham que tem. Um estudo feito há cinco anos dizia que os carros da marca rodam 10.000 quilômetros por ano. É pouco e, num tempo em que outras empresas criam belos esportivos, é perigoso. As Ferrari têm fama de serem difíceis de dirigir e, digamos, mecanicamente temperamentais.A engenharia fez sua parte e agora cabe ao marketing mudar essa fama. Como? Caindo na estrada. Ano passado, duas 612 Scaglietti cruzaram a China.Agora é a vez de as 599 GTB Fiorano rodarem 20.000 milhas (32.200 quilômetros) de Minas Gerais a Nova York, no Ferrari Panamerican 20.000. Se você acha que o clima será de perseguição de filme do James Bond, pode tirar o cavallino da chuva.

Quinta-feira, 24 de agosto

10h: Festa na fábrica da Fiat, em Betim. Dois funcionários sorteados andam de carona nas 599.A foto oficial, na pista da fábrica, é diante do outdoor da Ferrari - o da Fiat,logo ao lado, fica fora do enquadramento. Às 13h (duas após o previsto), a caravana parte para o Rio.
13h18: Aliás,não parte.Paramos num posto Shell.Show de viola, fotos da imprensa local.
14h35: Saio do posto na Ferrari azul. De carona, Enrico Goldoni. Há duas décadas na Ferrari, responsável pelo controle de qualidade e desenvolvimento das macchine, é o chefe da viagem. Como não há muito o que explicar sobre como dirigir a 599 (é um carro com câmbio por borboletas no volante, como o novo Civic), ele passa as regras do jogo: "A partir de agora, você é parte da Ferrari. E, como parte da equipe, você obedece às minhas ordens". Serão ordens até chegarmos ao Rio. Salta aos ouvidos a desconfiança da Ferrari de seus dois novos integrantes (Bóris Feldman, editor do jornal Estado de Minas, e eu)."Não passe pelos buracos","fique à esquerda."Há 47 jornalistas esperando para andar nas Ferrari depois de nós. E os carros precisam chegar ao públicoalvo em perfeito estado, não interessa como.
15h40: Aliás, interessa sim. Estas Ferrari receberam alguma preparação para a viagem e são naturalmente valentes." Go! Go! Go!", ordena Goldoni, diante dos paralelepípedos e quebra-molas da cidade de Congonhas (MG). "Não estou pegando leve, é assim que eu faria com o meu Fiesta", respondo. E a 599 passa sem raspar. Goldoni pede minha opinião. "Acho que vocês fizeram um bom Porsche." Ele resmunga, mas era isso que ele queria ouvir.
19h40: Bóris Feldman, agora ao meu lado, no volante da Ferrari, boceja ao usar só um quarto do velocímetro, que marca até 360 km/h.Temos de seguir o Idea azul da organização e este não pode deixar o microônibus e os dois furgões para trás.Uma patrulha escolta a caravana e, a cada jurisdição, esperamos outro carro chegar.
22h20: As Ferrari param para abastecer, no posto... Esso.Terça-feira, abasteceríamos num posto Ipiranga.
0h20: Quem disse que falta emoção? Chegamos à Linha Vermelha, no trecho que os cariocas chamam de "Faixa de Gaza", por causa dos tiroteios.O policial pede: "Mais rápido, mais rápido!" Mas, para a caravana não se desfazer, vamos a 70 km/h.Nem o time do Flamengo, desfilando para festejar título mundial, passaria daquele jeito.
1h15: Chegamos ao hotel com sete horas de atraso.Alguém da Shell, sem almoço e sem jantar, desabafa: "Trabalho a maior parte do ano com a Ferrari da Fórmula 1 e o contraste é assustador.Lá, eles não atrasam cinco minutos".

Sexta-feira, 25 de agosto

6h30: O sol do Rio nos encoraja a acordar.Não somos os únicos, o time da Ferrari também está no saguão do hotel.
8h15: Sessão de fotos.A Ferrari azul e três carros de apoio ocupam, lentamente, três faixas do Aterro do Flamengo.Cariocas com pressa para ir ao trabalho buzinam e xingam pela janela.Os italianos buzinam e xingam de volta.
8h48: Fotos no calçadão doe srtaurante Rios'.Um Doblò de apoio estaciona no meio da curva da rua de acesso.
8h54: Alguém pergunta: "Com licença, será que dá para estacionar o Doblò ali?" O funcionário da Ferrari não mexe um dedo.Vira o pescoço e diz: "Já estamos saindo".
9h30: Chega a Ferrari vermelha.O Marea prata que lhe fazia escolta pára atrás do Doblò vermelho.
9h49: Fim da sessão de fotos.Marea e Doblò saem da rua.
11h: Fotos no prédio da Shell.
11h40: Simulação de troca de pneus numa loja Pirelli.A Ferrari vai para o elevador."Não, isso vocês não podem fotografar", diz Goldoni.Após um telefonema (e ao confirmar que o fundo do carro estava inteiro), ele autoriza.
12h30: Fotos num posto Shell, com show de carnaval.
15h: Tentativa de fotografar as Ferrari e o Cristo Redentor.
17h: As 599 vão para a Cidade do Samba, onde haverá um show à noite.A produção da Fiat quer pôr cada carro num tablado de madeira, mas a Ferrari acha perigoso.Para mostrar que é seguro, a Fiat sobe dois Doblò num palco.
20h: Show na Cidade do Samba. Os Idea Adventure estão em cima de tablados, as Ferrari sambam no chão.

Sábado, 26 de agosto

9h: Saída para São Paulo. Para ganhar tempo, trocamos a Rio-Santos pela Via Dutra. O tanque está na reserva.
10h12: Paramos num posto BR na Via Dutra, altura de São João de Meriti. Esperamos um caminhão da Shell.
10h40: Chega o caminhão da Shell. É aberto, como aqueles de transportar tijolo, e tem dois latões de gasolina em cima. Alguém da Shell diz que custou caro e é seguro.Deve ser, mas não lembra aquele avião que abastecia em movimento a Ferrari do Schumacher, no comercial. Um funcionário gira a manivela da bomba manual. Enche ápido, são quase 100 litros por carro. Saímos às 11h19.
11h40: Em vez de um pagar o pedágio e todos esperarem em fila, cada um paga o seu e acelera para reencontrar o grupo. (Não sei se a 599 vai mesmo de 0 a 100 km/h em 3,7 segundos, mas posso atestar que ela reencontra o grupo muito, muito rapidamente.)
12h22: Lindo trecho na Dutra no km 296, perto de Resende.De carona,Marco de Bari clica a Ferrari vermelha.É o camera car mais veloz de nossas carreiras.
15h25: O motor V12 nem é tão sedento mas, de pé embaixo (e assim estamos), a média cai para 3 km/l. Minha Ferrari está com pouco mais de um quarto do tanque
15h44: Paramos no posto. Só tem álcool, mas a trupe quer esticar as pernas, e as câmeras de celular já cercam os carros.Esperamos pela hora de fazer um pedido.
15h45: Enrico Goldoni está mandando todos entrarem nos carros. É agora: "Enrico, será que o Marco pode dirigir?""Vamos parar no próximo posto, ok?", ele diz. "Quer dizer que sim?", pergunto ao Bari."Deve ser.Vai ser."
15h46: "F40, 360, 355, 612, 575, 430, teve uma antiga, também, GTO 250... Anotou a 348?" Marco carimba o nono cavalinho em seu passaporte."O motor é um rojão, incrível.E ela é fácil de dirigir, você enxerga para todos os lados... No Lamborghini Gallardo, você anda com medo na cidade, não sabe onde o carro termina nem se ele vai esbarrar. Essa 599 é tranqüila.A partir da 360 (1999), elas ficaram mais fáceis, as antigas eram muito ariscas."
15h50: "É dureza ver um Honda Fit dando farol alto e ter que dar passagem, porque estamos num comboio." Você não é o único, Bari. Os italianos sentem a mesma coisa, e em dobro. Eles não correm nem saem da esquerda e no Brasil, é triste constatar, isso é punido com fechada. Na Dutra, em três ocasiões (com uma Zafira dourada, um Monza branco e um Gol prata), o Ferrari Panamerican quase terminou em engavetamento a 100 km/h.
16h35: Paramos num posto Shell. "Infelizmente, você não poderá mais dirigir", diz Goldoni ao Bari. O volante com ajuste elétrico sobe sozinho, para facilitar o entra-e-sai.
17h28: Chegamos ao L'Hotel, ao lado da avenida Paulista.Enfim o carro raspa o bico em alguma coisa - na rampa da garagem. Mas os riscos no chão mostram que um jipe rasparia ali. Domingo é dia livre e eles querem ir ao jogo do Corinthians.Teoricamente, nossa viagem termina aqui.

Domingo, 27 de agosto

12h20: Queremos entrevistar mais gente e acompanhar toda a passagem das Ferrari pelo Brasil, podemos? "Talvez não dê para dirigir a Ferrari, tudo bem?"

Segunda-feira, 28 de agosto

7h: Saída de São Paulo.Da avenida Paulista à Via Régis Bittencourt em 29 minutos. Os problemas de trânsito ficam menores quando se arruma escolta policial.
11h04: Parada num posto. Não tem gasolina, mas todos descem para esticar as pernas. Menos Gabriela Noris.
11h29: Próximo posto."Por que ficou tanto tempo parado? O que tinha para fazer naquele posto? O tempo está passando e não fizemos nada! Nada!" De braços abertos, Gabriela reclama com o chefe da viagem,Enrico Goldoni. "Podia ser pior", ele diz."Ela podia ser sua esposa."
14h40:Visita à Case New Holland, fábrica de tratores do Grupo Fiat. No pátio, 800 funcionários. "Ano passado, teria vindo muito mais", diz um funcionário. "Mas eles mandaram muita gente embora."
16h08: Levamos uma Ferrari para visitar a serra da Graciosa, mas a grossa neblina estraga nosso passeio. Às 17h24, vamos embora para o hotel em Curitiba.

Terça-feira, 29 de agosto

Dia de deslocamento. Saímos cedo e mal paramos nos 800 quilômetros até Foz do Iguaçu. No jantar do hotel chegaram outros repórteres: dois franceses, dois alemães.

Quarta-feira, 30 de agosto

9h44: Ver nossas Ferrari em outras mãos foi um rito de passagem estranho mas inevitável, como ver a filha sair com o primeiro namorado. Foto nas cataratas do Iguaçu.
13h20: No posto da Polícia Federal brasileira, trocamos os adesivos do carro. O Cristo Redentor e a bandeira verdeamarela dão lugar ao azul-celeste e branco, com o Obelisco portenho no capô. Mais gente, mais fotos de celular, algumas exclamações já em língua espanhola. E assim, às 14h58 do dia 30 de agosto, os intrépidos italianos e suas máquinas maravilhosas atravessaram a ponte Tancredo Neves, que separa o Brasil da Argentina. Do outro lado, um guarda espera de câmera na mão.Mas isso é coisa para os jornalistas argentinos, não é mais conosco.


Quer dar uma volta?

Tem um macete para ajustar o banco.Levante o assento até ficar com a cabeça perto do teto. Você passa a enxergar o capô, grande como uma cama de casal, uma cordilheira de ombros e tomadas de ar que me lembram o Corvette Sting Ray e o Batmóvel. Acelere forte, em pontomorto, e veja a carroceria se contorcer para a direita, em reação ao coice do motor. Violento quando provocado, o V12 sabe ser dócil. A visibilidade ótima e os pedais suaves não dão angústia de andar na cidade. Dá para emprestar para sua mãe ir ao mercado. Tá, mas vocês querem saber de outra coisa. Andamos a maior parte do tempo atrás de um Idea, mas vamos lá: pé no fundo, ela é estupidamente rápida. Na saída do pedágio, chega aos 100 km/h antes de as pistas voltarem a afunilar.A suspensão é dura como no BMW Z4, mas isso é ótimo se lembrarmos que a 599 anda mais e pesa mais. O carro lê o asfalto e isso dá noção de movimento. Dentro da velocidade permitida não se percebe vibração do motor ou da carroceria. Pé no freio e o carro baixa as marchas e faz punta-tacco sozinho.Foi a única intervenção que eu percebi. As ajudas são discretas a ponto de o motorista sentir-se encorajado, e não um principiante que precisa de auxílio.


O piloto - German Gilli

QR -Como você virou piloto da Ferrari?
Gilli -Era mecânico em Mendoza, na Argentina. Viajei à Itália e visitei a Ferrari. Minha mãe insistiu para deixar um currículo. Achei loucura, mas deixei. Ligaram em uma semana, em duas eu comecei na oficina. Com um ano e meio, fiz um curso de pilotagem.


A voz do dono - Mina Piccinini

QR - Foi a Ferrari que te ofereceu o emprego?
Mina - Foi, mas eu disse que não queria. Atuava numa ONG de ajuda a crianças com câncer. Achava tão materialista ir para a Ferrari... Mas insistiram, conversei com eles e me apaixonei. Aqui é uma família, como era na ONG.

QR - O que você faz?
Mina - Faço eventos e escrevo discursos.

QR - Põe palavras na boca do Luca di Montezemolo?
Mina - Menos na dele, ele sabe falar muito bem.


Pacote turístico

A carenagem de plástico sob as Ferrari ganhou cobertura de duralumínio com 4 milímetros, no mesmo formato. O estepe vai num dos dois furgões de apoio e a suspensão subiu 25 milímetros, com calços nas molas e nova regulagem no curso dos amortecedores. Para trechos sem asfalto, a Pirelli entregou pneus de chuva com composto de borracha para rali, que serão lançados em 2007. Os dois Doblò Adventure ganharam teto solar, pára-barros e porta traseira que abre para cima. Os dois Idea Adventure ganharam pára-barros, para não apedrejar o vidro das Ferrari. Idea e Doblò deixam a viagem no México. Assumem a escolta carros da Alfa Romeo, que planeja voltar ao mercado americano.


O segurança - Mario Spadafora

QR - Por que trocou, há cinco anos, a Itália pelo Brasil?
Mario - Vim por causa de uma mulher e continuei por causa de outras. Mais eu não conto, não confio em você.


A fotógrafa - Gabriela Noris

QR - Sempre trabalha sozinha?
Gabriela - Ajudantes param na frente do que quero fotografar. Em 40 anos de foto, tive 20 dias de ajudante. Mas não tenho nada contra, comecei assistente.

QR - Fazendo carros?
Gabriela - Fazendo corridas, daí meu jeito de trabalhar. Fotógrafos de pista trabalham sozinhos e precisam captar o momento. O carro não passa duas vezes no mesmo lugar.

QR - E se alguém estiver na frente...
Gabriela - ... eu mando sair. O clique é um instante, tudo deve estar perfeito e ninguém pode atrapalhar. Sou espontânea, as pessoas já sabem disso e não guardam mágoa.






» FOTOS